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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Greve da UNEB ilegal?

Na manhã desta terça-feira (31), cerca de 300 pessoas, entre professores, estudantes e técnicos administrativos das quatro universidades estaduais da Bahia, ocuparam as galerias da Assembleia Legislativa para exigir a reabertura das negociações com o governo baiano. A promessa dos manifestantes é ficar, a princípio, acampados no prédio do Legislativo por dois dias, isto se o governo não recuar e voltar a negociar com as categorias.

Na última sexta-feira (27), os representantes do governo reapresentaram a mesma proposta de acordo que defendem desde dezembro do ano passado. Os professores entraram em greve em abril justamente por não concordarem com uma cláusula imposta pelos interlocutores governistas que impede futuras mobilizações por reajustes salariais.

De acordo com o coordenador do Fórum de Associações dos Docentes das Universidades Estaduais da Bahia, Gean Santana, o governo trancou as negociações, já que não abre mão da cláusula. “Desta vez eles (representantes do governo) foram mais agressivos. Disseram que se não assinássemos o acordo a proposta seria retirada. Com isto, o governo de Jaques Wagner inaugura uma nova forma de negociar com os professores: a chantagem. Nem os governo carlistas tiveram tamanha ousadia”, acusa.

Para o coordenador da Associação dos Docentes da Universidade do Sudoeste Baiano (ADUSB), Alexandre Galvão, "a política do governo Wagner é de cooptação dos movimentos sociais. Esta é a grande questão. Acontece que nós não estamos nesta linha de cooptação, nós estamos na linha de defesa de um projeto de universidade e nós sabemos que o governo Wagner tem outro projeto de universidade. No projeto deles, as universidades serão desmanteladas e privatizadas por dentro”, ressalta.


ALBA

A escolha da Assembleia Legislativa para o ato público desta terça não foi por acaso. Por lá, os manifestantes esperam sensibilizar os deputados estaduais, que segundo Galvão, se elegem com discursos de defesa das universidades públicas e depois se isentam das responsabilidades.

Além deste argumento, os grevistas lembram que o termo de compromisso de incorporação da gratificação por Condições Especiais de Trabalho (CET) foi assinado na sede do Legislativo estadual. O acordo firmado em julho de 2010 é rubricado pelos deputados Waldenor Pereira (líder da bancada governista à época) e Zé Neto (líder atual da bancada), além de ter o presidente da Casa, Marcelo Nilo (PDT),como testemunha.

“Hoje é o dia que eles (deputados) vão ter que dizer de que lado realmente estão. Sob pena de serem desmoralizados frente à opinião pública”, desafia Galvão.


Estudantes

Na manhã de ontem também saiu a decisão do juiz Mario Soares Caymme Gomes, da 8ª Vara da Fazenda Pública, que considerou ilegal a greve dos professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). O juiz determina que os docentes da universidade retomem às atividades em 48 horas, sob pena de pagamento de multa diária de R$5 mil pela Associação dos Docentes da Uneb (Aduneb), ré no processo.

A professora Elisa Lemos Aduneb afirmou que ainda não foram notificados da decisão do juiz, mas desde já garante que nada vai desmobilizar a categoria. Segundo ela, esta não será a primeira vez que uma greve de professores é considerada ilegal e a greve vai continuar até que o governo reveja a sua postura autoritária.

Um dos argumentos atribuídos ao juiz para tomada de decisão é de que a greve prejudica o ano letivo e consequentemente os estudantes, no entanto, a centena de dissentes que acompanham os professores no protesto contesta a opinião do magistrado.

De acordo com Guilhermino Alves, estudante de odontologia da Uesb, os acadêmicos são solidários às reivindicação dos professores e ainda trouxeram para a Assembleia uma pauta própria, que foi elaborada em fóruns que aconteceram em diversas universidades.

“Uma rúbrica especifica para permanência estudantil. Temos a questão de 7% da receita liquida do governo do estado para as universidades públicas. Pedimos a queda do decreto e a queda da Lei 7.176. Esta lei fere a autonomia das universidades”, afirma.

A Lei a que se refere o estudante determina que quaisquer decisões tomadas dentro das universidades serão validadas após a assinatura do representante do governo. Ai se inclui a escolha do reitor, que os membros da universidade deve eleger um listra tríplice para submeter ao governo do estado. “O governo é que dá a última palavra não existe autonomia”, critica o estudante.

Fonte: Bocão News

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