Na manhã desta terça-feira (31), cerca de 300 pessoas, entre professores, estudantes e técnicos administrativos das quatro universidades estaduais da Bahia, ocuparam as galerias da Assembleia Legislativa para exigir a reabertura das negociações com o governo baiano. A promessa dos manifestantes é ficar, a princípio, acampados no prédio do Legislativo por dois dias, isto se o governo não recuar e voltar a negociar com as categorias.
De acordo com o coordenador do Fórum de Associações dos Docentes das Universidades Estaduais da Bahia, Gean Santana, o governo trancou as negociações, já que não abre mão da cláusula. “Desta vez eles (representantes do governo) foram mais agressivos. Disseram que se não assinássemos o acordo a proposta seria retirada. Com isto, o governo de Jaques Wagner inaugura uma nova forma de negociar com os professores: a chantagem. Nem os governo carlistas tiveram tamanha ousadia”, acusa.
Para o coordenador da Associação dos Docentes da Universidade do Sudoeste Baiano (ADUSB), Alexandre Galvão, "a política do governo Wagner é de cooptação dos movimentos sociais. Esta é a grande questão. Acontece que nós não estamos nesta linha de cooptação, nós estamos na linha de defesa de um projeto de universidade e nós sabemos que o governo Wagner tem outro projeto de universidade. No projeto deles, as universidades serão desmanteladas e privatizadas por dentro”, ressalta.
ALBA
A escolha da Assembleia Legislativa para o ato público desta terça não foi por acaso. Por lá, os manifestantes esperam sensibilizar os deputados estaduais, que segundo Galvão, se elegem com discursos de defesa das universidades públicas e depois se isentam das responsabilidades.
Além deste argumento, os grevistas lembram que o termo de compromisso de incorporação da gratificação por Condições Especiais de Trabalho (CET) foi assinado na sede do Legislativo estadual. O acordo firmado em julho de 2010 é rubricado pelos deputados Waldenor Pereira (líder da bancada governista à época) e Zé Neto (líder atual da bancada), além de ter o presidente da Casa, Marcelo Nilo (PDT),como testemunha.
“Hoje é o dia que eles (deputados) vão ter que dizer de que lado realmente estão. Sob pena de serem desmoralizados frente à opinião pública”, desafia Galvão.
Estudantes
Na manhã de ontem também saiu a decisão do juiz Mario Soares Caymme Gomes, da 8ª Vara da Fazenda Pública, que considerou ilegal a greve dos professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). O juiz determina que os docentes da universidade retomem às atividades em 48 horas, sob pena de pagamento de multa diária de R$5 mil pela Associação dos Docentes da Uneb (Aduneb), ré no processo.
A professora Elisa Lemos Aduneb afirmou que ainda não foram notificados da decisão do juiz, mas desde já garante que nada vai desmobilizar a categoria. Segundo ela, esta não será a primeira vez que uma greve de professores é considerada ilegal e a greve vai continuar até que o governo reveja a sua postura autoritária.
Um dos argumentos atribuídos ao juiz para tomada de decisão é de que a greve prejudica o ano letivo e consequentemente os estudantes, no entanto, a centena de dissentes que acompanham os professores no protesto contesta a opinião do magistrado.
De acordo com Guilhermino Alves, estudante de odontologia da Uesb, os acadêmicos são solidários às reivindicação dos professores e ainda trouxeram para a Assembleia uma pauta própria, que foi elaborada em fóruns que aconteceram em diversas universidades.
“Uma rúbrica especifica para permanência estudantil. Temos a questão de 7% da receita liquida do governo do estado para as universidades públicas. Pedimos a queda do decreto e a queda da Lei 7.176. Esta lei fere a autonomia das universidades”, afirma.
A Lei a que se refere o estudante determina que quaisquer decisões tomadas dentro das universidades serão validadas após a assinatura do representante do governo. Ai se inclui a escolha do reitor, que os membros da universidade deve eleger um listra tríplice para submeter ao governo do estado. “O governo é que dá a última palavra não existe autonomia”, critica o estudante.
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